quarta-feira, abril 12, 2006

Como usar a minha mala Dior?

Quando tudo corria bem e a vida voltou a encaminhar-se, algo estava prestes a acontecer. Depois de ter decidido fazer exercicio para ficar em forma, arranjar um espacinho mensal para as amigas mais velhas e por isso melhores, a minha mae resolveu presentear a nossa casa com um novo ser. E assim, chegou a Pinky. Uma cadelinha amorosa, minuscula com apenas dois mesinhos. A Pinky veio preencher o silencio e o vazio da casa, passando a ocupar a nossa vida. Ja' ninguem se sente capaz de sair de manha sem lhe dizer um "ate' logo"! A cadelinha encheu de tal forma a nossa vida de alegria, que corremos para casa para ela nao estar muito tempo sozinha, ou ainda, a primeira coisa que fazemos quando chegamos a casa passa por atirar os sacos e mochilas para o chao, para a podermos abracar. Brincamos com ela.. corremos.. recebemos as lambidelas quando esta contente, as mordidelas quando quer brincar... Entrou um novo membro para a familia, tao acarinhado como qualquer outro ser.
Despois destes momentos com a Pinky, chegou a viagem para a India.
Eram 4h da madrugada quando o despertador tocou. a Pinky dormia entre a minha almofada e o meu ombro e com o estrndoso barulho intermitente, acordou aborrecida e veio morder-me. Era hora de acordar e nos mal dormimos porque passamos a noite a brincar. O aviao esperava-me, como tal, nao me restou muito mais escolha do que po-la a dormir com o Bej e vestir-me rapidamente. Sai de casa com as lagrimas nos olhos por a deixar sozinha. Todo o caminho ate ao aeroporto foi a falar da pequena. deixamo-la sozinha com o "pai", que ficava a trabalhar enquanto ela nos destruia a casa.
Tentando abstrair os momentos com a Pinky.. resolvi que o melhor seria fechar os olhos e acordar em Deli. Assim, a viagem seria curta e a tristeza nao se apoderava de mim.
A chegada a Deli foi um choque. Eram 2:30 da madrugada, hora local e a temperatura rondava os 38 graus. Saindo do aeroporto comecou a verdadeira aventura. Era altura de apanhar um taxi ate ao aeroporto onde se faziam os voos internos. Os taxis era algo nunca antes visto. Desde os tuc-tuc (triciclos motorizados, completamente enfeitados por luzes de neon, autocolantes ridiculos, pom-pons.. tudo o que se possa imaginar) aos "normais" carros, tambem todos eles enfeitados como se fossem arvores de natal. A viagem, apesar de curta, foi a mais longa de sempre. O transito na rua, transformava a cidade numa enorme confusao. Os carros circulavam em todos os sentidos, na mesma faixa de rodagem, era possivel ver-se carros, prestes a chocar de frente, o que e' considerado absolutamente normal. Alem da confusao que ha' apenas com carros, ha' que salientar que na via tamber circulavam peoes, animais (vacas, cabras, galinhas, caes e porcos), motas, bicicletas, camioes, motorizadas.. cada um seguindo o seu sentido. A buzina e' o elo mais forte. Da janela viam-se casas velhas, estradas de terra-batida, predios em construcao a cair, etc.
O aeroporto que fazia os voos internos e' recente, portanto novo. Ou deveria ser. Os ratos corriam no chao, os estofos dos bancos estavam rasgados.. o meu pesadelo estava a comecar. Deixei a Pinky em casa sozinha para chegar ao inferno.
Na nova cidade, o panorama era o mesmo. Se nao fosse o Hotel (DE LUXO), nao sei o que seria de mim. Passei os primeiros dias sem sair do hotel, com medo da selva, ate que chegou o dia de apanhar um novo aviao para uma nova cidade. Esta sim, tinha bom aspecto. Contudo, o lixo, a sujidade e o po', continuavam presentes. Chegamos no dia de uma tempestade de areia. Tudo a' nossa volta era areia, contudo, a cidadezinha bastante mais simpatica e organizada, convidava-nos a ficar. Aqui tudo era limpo, tudo era muito mais simpatico e os dias foram passando mais depressa. Mas neste antro de po' e bichos.. nesta cidade do terceiro mundo eu pergunto.. Como usar a minha mala Dior?