domingo, dezembro 28, 2008

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"O amor é fodido. Hei-de acreditar sempre nisto. Onde quer que haja amor, ele acabará, mais tarde ou mais cedo, por ser fodido. (...) Por que é que fodemos o amor? Porque não resistimos. É do mal que nos faz. Parece estar mesmo a pedir. De resto, ninguém suporta viver num amor que não esteja pelo menos parcialmente fodido. Tem de haver escombros. Tem de haver progresso para pior e desejo de regresso a um tempo mais feliz. Um amor só um bocado fodido pode ser a coisa mais bonita deste mundo."

Miguel Esteves Cardoso

O regresso de Cinderela

Depois da conversa com a mãe dela, já não havia nada que os impedisse de ficarem juntos.
Como habitualmente, ela foi àquele café onde, noites após noite, se encontra com os amigos. De repente, começou a sentir um calor estranho, aliado a um enjoo descontrolado. Resolveu pedir umas águas, mas nada parava aquele transtorno. Pegou no braço do melhor amigo e pediu que a acompanhasse lá fora.
Curiosamente, do outro lado da rua, pareceu-lhe o carro dele. Nesse instante, tudo lhe passou. As borboletas da barriga começaram a bater as asas e a levantar voo. Acabavam de acordar. Pediu desculpa ao amigo, enquanto correu para ele e lhe saltou para o colo. Beijaram-se. Era incrível como gostavam um do outro.
Continuavam, porém, a temer a opinião e reacção alheia. E isso mexia com eles.
Ela gostava que ele pudesse conviver com os seus amigos. Mas a diferença de idades era tão grande... Que sentido teria para cada uma das partes aquela reunião?
Nem ele se sentiria à vontade com os "miúdos", nem eles com o "tio". Falariam de quê? Da vida académica, bebedeiras, praxe e queimas das fitas (que se aproximava) ou de uma vida profissional, ligada à joalharia(algo demasiado minuncioso)?
Ninguém se sentia bem com a situação, e isso pertubava os "pombinhos".
De facto, o melhor era não pensarem mais nesse assunto, enquanto não se sentia bem.
Ele convidou-a para irem tomar alguma coisa, irem dançar um pouco no sítio "deles" e verem um filmezinho em casa dele. Era precisamente o que ela queria. Foi então despedir-se dos amigos, ouvir os conselhos do Gustavo, o melhor amigo preocupado e seguiu com ele.
Foram àquela discoteca que os marcava, mas a vontade de ficar não era nenhuma. Optaram por ir para casa dele.
Trocavam festinhas enquanto viam um filmezinho, daqueles de domingo à tarde, mas ele sentia-a nervosa e desconfortável. Falaram sobre isso. Ele sabia o que a pertubava. Ela não sabia lidar com aquela situação.
Resolveram estar juntos quando quisessem, desde que sentissem confortáveis. Sabiam que ambos aproveitavam demasiado bem aqueles momentos. Não era necessário pensar no depois.
Iam viver intensamente cada momento, quando estivessem juntos, sem pensar no que as pessoas poderiam pensar.
Estavam bem juntos e isso devia ser um momento a dois!
Era o que ambos queriam!

quinta-feira, dezembro 11, 2008

"Partes este Inverno?"



Depois de uma saison relâmpago no Club Med da Balaia, foi altura de entrar na rotina académica.

Vontade? Não tinha nenhuma. Cada vez tenho mais a certeza que nasci para o Club Med. Cada dia em casa, torna-se turtuoso. Não me deito sem ver e rever as fotografias, sem relembrar cada momento, cada G.O. e até alguns G.M's, que acabam por nos marcar por qualquer coisa.

A dolorosa pergunta surgiu: "partes este Inverno?"

Claro que não parto este Inverno e isso entristece-me.

Tenho saudades das invasões à coustumerie, onde quase não tinha tempo de me trocar para voltar ao palco. Saudades do contacto, no bar, onde, timidamente, todas as semanas tentamos conviver com os G.M's que chegam. Saudades do village-village, das fardas (que no momento achamos sempre horríveis, mas quando estamos em casa, estão cheias de recordações), saudades da desarrumação do quarto, das soirées G.O, das saídas em grupo, das animações, das reuniões, dos trabalhos que apenas têm hora de começar, das missões impossíveis de uma noite sem dormir para montar um carro ou um flutuante, porque no dia a seguir há um concurso na piscina ou um desfile no village, saudades das idas ao aeroporto, do convívio, até da mulher da limpeza, que quando descobriu que eu falava Português, não me deixava trabalhar... "colega, sabe...?".

Parece insano, com tudo isto, estar em casa! Por outro lado, penso: formo-me em Junho. A partir daí tenho o tempo todo para o Club!

Mas até que ponto é sensato estar a abdicar das Maurícias, de Serre Chevalie ou de Les Arcs, em prol de um curso que não quero exercer?

Mal posso esperar pelo verão, para uma nova saison começar e, desta vez, até ao fim :D

Happy Club Med to you!