domingo, dezembro 31, 2006

Mata-me de amor

Mata-me de amor!
Nada está definido quando o ser humano nasce. Nasce plano, como uma "tábua rasa" onde a vida se regista com um canivete bem afiado. Perante o nascimento de um novo ser, apenas sabemos que será amado/odiado e morrerá.
Afinal, nasce o ser humano para o amor e para um fim próximo?
Abri o jornal à sorte. "Crónicas de uma morte anunciada" era o título daquilo que seria uma história de amor.
História de amor...-pfff- nunca entendi como se aposta numa coisa quando somos conhecedores de que não será eterno. Pior,como pode alguém tornar público uma coisa tão pessoal.
Dei largas à imaginação e, por momentos, revi os nossos passeios no jardim, as idas à praia e as noites lá em casa!
Criei momentos novos. Não tão intensos como osoriginais. Mas sabia que não te amara.
Fui seduzida por momentos e palavras.
Continuei a ler.
Como a ingenuidade das pessoas lhes afecta o cérebro. Será que vale a pena o esforço por alquém que não fica para sempre ao nosso lado?
Se tivesse a certeza que ficavas...
Fazemos assim... ficas comigo enquanto fores feliz. Quando não me quiseres mais, mata-me. Mas mata-me de amor.
Morrerei feliz, no engano da felicidade!

sábado, dezembro 16, 2006

Parte III - a procura

Bé acordou. Tudo tinha passado de um sonho, para o qual não havia uma explicação dentro dela. Sentiu-se frustrada por ter encontrado no vento um certo reconforto. Ainda a pensar nisso, arranjou-se e saiu para o trabalho.
Ao sair da garagem, constatou que estava um dia de calor invulgar. Seria aquilo um sinal? Com esse pensamento no plano de fundo, saiu do carro. Não havia vento.
Bé sentiu-se ridícula por dar asas ao seu sonho e guiou até ao trabalho. Tinha um dia de muito trabalho pela frente: era necessário fazer entrevistas para aqueles que se candidatavam à sua empresa. Bé sentia-se "sem cabeça" para o fazer.
Entrevistou um por um. A manhã estava quase no fim e ainda ninguém lhe tinha agradado.
Estava quase a sair para ir almoçar quando lhe chegou "O candidato". Depois de uma breve entrevista, Bé sentiu que era aquilo que procurava. Achou que não perderia nada em convidá-lo para o almoço- seria uma forma de o conhecer melhor.
Em vez de ir à habitual tasca, optou pelo restaurante à beira-mar. Talvez fosse um pouco romântico demais, mas nada como o mar para transmitir a tranquilidade na sua plenitude.
O almoço decorria dentro do habitual. Ambos trocavam experiências, não forçando a intimidade. Começava a gerar-se uma certa intimidade.
"Era disto que eu precisava -pensava Bé- há tanto tempo que não falava de tanta cosia com alguém. E como ele me faz sentir bem.. Ia jurar que me ri. Não. Demasiado cedo".
Já da parte da tarde, de volta à empresa, Bé resolveu contratá-lo por um "tempo experimental". Nada melhor que o tempo para duas pessoas se conhecerem.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

parte II - o "muso" inspirador...

Os meterologistas anunciavam uma grande tempestade vinda de sul. O país estava em alerta vemelho. Inconformada,Bé saiu. Afinal, desde que ele a deixara, ela estava fechada em casa. Estava na altura de partir para outra e nada melhor do que levar com água da chuva na cara.Quando saiu de casa, Bé achou estranho. Estava um dia radiante. Muito calor, mas respirável. Após algumas analogias, Bé pode concluir que a tempestade de sul, era uma tempestade calorosa. Nao deixava, contudo, de se questionar sobre a estranheza dos factos. Quereria aquilo dizer alguma coisa?O sol aquecia-lhe o coração gelado. O calor daqueles momentos que ela recordara tinha acabado. As sombras do passado tornavam tudo escuro e frio. As trevas tinham-se apoderado de Bé, mas a calorosa tempestade de sul conseguiu que um raio de sol penetrasse na obscuridade. Por momentos, sentiu-se renascer. Tudo lhe brilhava. O mundo sorria.
O vento envolveu-a como se dum abraço se tratasse. Por momentos, Bé achou que era aquilo de que precisava. Uma brisa tocou-lhe nos lábios. Bé sentiu uma borboleta a bater-lhe dentro do estômago. Sentia-se aoanhada pela tempestade... desprevenida, desprotegida, surpresa.
O dia continuou e Bé não deixava de pensar no que lhe tinha acontecido. Achava estranho sentir-se bem apenas com o toque do vento. Sentia que tinha descoberto uma nova forma de prazer, completamente extravagante. Nessa noite dormiu sobre o assunto.
Quando os raios da manhã a despertaam, Bé arranjou-se e correr para a rua, com esperança de ser possuída pelo calor dos ventos do sul. Não teve sorte! Foi avassalada por uma tempestade de gelo, frio e chuva.
Bé sentiu os sonhos desmoronarem-se. Não percebia o que se passava com ela.
Quanto tempo teria de esperar até ser de novo tomada por aquela onda de euforia?
Bé sentia aquele vento muito personificado, embora não quisesse ceder...
Como poderia uma força da natureza abrir os caminhos para a felicidade de forma tão imperativa?

(continua)

segunda-feira, dezembro 04, 2006

parte I - A fuga

O cerco apertava. Ela não conseguia fugir mais. Quanto mais corria, mais os fantasmas do passado a perseguiam. Ela parou. Afinal, porquê fugir dos desejos mais intrínsecos?
Ela sentou-se. Enquanto pensava, o baú das recordações ia-se arrumando. Já o dos desejos... esse transbordava! Era pequeno de mais para todos os desejos ardentes que a inflamavam. Bé teve medo. Sentia-se perdida; rodeada de horizontes aos quais não chegava.
Enquanto suspirava, Bé recordava todos os momentos vividos a dois. Cada suspiro a remetia para aquele que era o apogeu do prazer. Momentos que lhe enchiam a alma de alegria e tão saborosos de reviver. Como fora feliz naquele tempo...!, tomada no abraço apertado daquele que lhe sussurava "amo-te" ao ouvido.
Ainda mergulhada em recordações, Bé sentia o cheiro do cabelo dele, o sabor da sua pele, o toque da sua mão, o calor daqueles beijos que não tinham fim. Revivia o encontro daqueles dois corpos tão intensamente como se fosse agora.
Como ela gostava que tudo se repetisse..
Enquanto ponderava um reencontro, os fantasmas do passado aliaram-se ao mosntro do tempo que dizia "Não, Bé. É impossível um retomo".
"Não", pensava Bé. Era realmente aquilo que ela queria e não podia desistir. Porque ousava o tempo estragar aquela época em que ela tinha sido mais feliz?
Sentia-se como uma criança, a quem lhe roubam um saco de gomas. Quem era capaz de roubar a uma criança aquilo que momentos antes a tinha feito tão feliz?
Bé continuava a desejar aquela que tinha sido a melhor noite da sua vida... não estava disposta a dispensar o êxtase da paixão que outrora a invadira, contudo, não se sentia preparada para lutar pela sua vontade. Sentia-se consumida pelo medo que iria ter de enfrentar.
"Porque é que nem sempre é fácil sabermos aquilo que queremos e agir nesse sentido?" - gritava o coração da menina.
(será continuado)