terça-feira, junho 26, 2007

Relações Interpessoais

Atafulhada em montes de fotocópias de psicologia, sufocada pela leitura e entristecida por ver um sol radioso pela janela, pus-me a interiorizar a matéria. Relações interpessoais...

Claro que toda a gente precisa de cultivar relações com os outros, para não cair em obsessões, depressões ou em alguém psicótico que só quer o mal dos outros. Poderia chamar narcisista a esse psicótico, mas não o é. O psicótico sem amigos é aquele que não suporta ver os outros felizes, que tenta destruir a felicidade dos outros, que o facto de estar sozinho o torna em alguém doente, com tendência para acidentes.

Então, se ter relações faz parte de SER, de EXISTIR, que relações pode haver?

A amizade... relação entre duas pessoas, geralmente da mesma geração, definida por relações como confiança, ajuda, saber ouvir, saber guardar segredos, respeito, aceitaçao de si e do outro como realmente são... Amizade, troca de promessas, de gargalhadas, de lágrimas. Diversão, lazer, disparates.. há tanto para dizer deste sentimento comum a todos os mortais.

Sexualidade, outra relação interpessoal que tem vindo a sofrer algumas alterações desde a antiguidade. Se antigamente era impensável pensar em sexo antes do casamento, hoje em dia é um habitué. "Sexo só depois do casamento" foi destronado pelas relações homo e heterossexuais que se verificam cada vez mais cedo, no despoletar da adolescência. Tem sido de tal forma banalizada que a tendência para gravidezes indesejadas e doenças sexualmente transmissiveis tem vindo a aumentar.

Amor... Esta é bem mais complexa no seu todo. Há quem o entenda como uma história, onde o casal não está apaixonado mas cria a paixão, há quem o veja como um jogo, uma loucura ou uma perda de tempo. É algo que envolve intimidade, paixão, compromisso, auto-revelação, confiança, respeito, desejo sexual. É talvez o mais completo dos sentimentos.

Há, no entanto, uma dúvida que me persegue... Se tudo isto faz parte do ser humano... porque é que ainda há pessoas a fugirem dos relacionamentos? A solidão é algo que me assunsta!

domingo, junho 17, 2007

Principe encantado VS. Macho actual

Somos a vida toda confrontadas como modelos de homens ideais. Seja pelos contos de fadas, pelos filmes ou pelas histórias que tão atentamente ouvimos as nossas avós contarem, todas têm um final feliz a partir do momento em que o príncipe encantado aparece.
Mas na vida real, onde está o príncipe encantado que vem dar cor à nossa vida?
Com esta questão às voltas na cabeça, fui para a rua. Passou um casal. "Alguém que encontrou o príncipe!" - pensei eu. Ideia que se desvaneceu poucos segundos depois, ao ouvir como o homem tratava a sua princesinha.
De passagem pelo supermercado, deparei-me com várias mulheres a empurrarem os carrinhos de compras enquanto os maridos se passeavam pelos corredores, falavam ao telemóvel ou liam o jornal. Subitamente, vieram-me à cabeça as palavras da minha avó "o príncipe encantado é aquele que é cavalheiro, que te abre a porta para passares, que te leva os sacos quando estás carregada...". Mais uma vez, não era ali que estava o príncipe encantado.
"Talvez o príncipe encantado esteja na livraria, em busca de cultura" - pensei mais uma vez. Chegada à livraria, pedi ao rapaz da caixa um livro. O rapaz rapidamente gritou a uma colega "Ó Marta, atende esta menina que eu estou atrapalhado". Talvez não fosse o local que um príncipe procuraria.
De volta a casa, acendi a televisão e estavam várias mulheres sentadas num estúdio a queixarem-se de agressões físicas por parte dos maridos.
Talvez a era do príncipe encantado tenha sido substituída por uma sociedade onde o típico macho latino domina. Valores como cavalheirismo, ajuda, protecção, apoio, solidariedade e respeito estão a entrar em extinção, vítimas do esquecimento do macho moderno.
E quanto ao amor, a sociedade contemporânea está a deixar de ter lugar para ele, uma vez que uma cama e um bocado de afecto originam o mesmo resultado. Palavras que saem sem serem sentidas, gestos estratégicos para o fim pretendido.
O macho dominante veio para ficar... e nós... continuamos a sofrer a ilusão do principe encantado!