
Hoje acordei de uma forma diferente.
Estavas de novo por perto. Puseste as tuas asas de fada, o vestido branco, a coroa de flores na cabeça e as sabrinas de ballet e bailaste a manhã toda no meu pensamento. Desafiaste o destino como nunca o fizeste e persististe todo o dia na minha memória.
Talvez seja o verbo querer a ganhar forma na sua plenitude e psicose.
Entre um gesto e outro, mexias-te como só tu sabes. Trazias harmonia a um dia duro de trabalho, apenas com uma dança e aquele sorriso só teu.
Por momentos senti o teu cheiro a invadir-me, o calor do teu abraço e o sabor daquele beijo só teu.
Como é inexplicável e intenso... o desejo. Nunca o tinhas pensado assim, não é verdade? Mas hoje não querias saber de nada. Querias só suavisar a obsessão em que o desejo estava a cair. E então bailaste... como só tu sabes.
Envolveste-me com o teu véu e fizeste promessas eternas. Promessas que ficaram gravadas com a tua dança! São intensos os sentimentos, hein? Já tinhas pensado nisso? Apesar do mundo não girar à tua volta, consegues tornar-te numa parte absolutamente fundamental dele mesmo.
Dás-me aquela força para lutar, enfrentar o destino e evadir-me do óbvio, só com as tuas palavras e a tua dança permanente que me assombra a memória.
Descobriste a melhor forma de chegar até mim. Encontraste o caminho mais longe, mas aquele que percorres mais rápido e com um grande sorriso estampado no rosto.
Dança para mim a noite toda. Absorve-me na paixão que transpiras. Seduz-me como só tu sabes...! Abraça-me como se não houvesse amanhã.
Continua a acariciar-me a cabeça todas as noites, sem nunca me acordares, graças às tuas sabrinas mágicas para bailares só para mim.
Há muita coisa a mudar e o querer psicótico vai ganhando vida. Vai-se conjugando a ele mesmo.
Eu quero, tu queres... nós queremos!
Esta noite, dança só para mim.