sábado, fevereiro 14, 2009

Amor descartável?


Na era das preocupações ambientais, surgem os mais diversos artefactos descartáveis, o que contribui enormemente para a redução de trabalho.
É preferível deitar fora uma fralda, quando mudamos um bebé, do que ter de a lavar. Assim como acaba por ser compensatório, numa festa de aniversário, deitar fora 50 copos, mais uns tantos pratos, do que ter de lavar tudo à mão.
Digamos que o factor "descartável", vem ajudar as pessoas, reduzindo uma série de trabalhos.
Mas será que a mesma sociedade se vira para o amor descartável?
Nesta época de S. Valentim, as montras das lojas são invadidas por corações: em balões, em cartolina, papel, cartões, nos mais diversos tipos de comida, etc. Um apelo ao consumismo, que reduz a preocupação com a crise financeira. Vai um pouco de encontro a uma notícia que ontem ouvi no telejornal: Sexo faz esquecer crise!
As pessoas distraem-se a comprar alguma coisa para a sua cara metade. Coisas essas, que por vezes, por excesso de coraçõezinhos e afins, se tornam impossíveis de voltar a utilizar. Mas o importante é vender e, para isso, não se olha a meios.
Mas outra questão que me faz pensar é porque se festeja o dia dos namorados e não os amigos, se são os amigos que estão sempre presentes e os namorados vão e vêm e vão e vêm e vão..? Também há aqueles "amigos" que vão com os namorados...
Mas até que ponto faz sentido festejar um dia como este, quando o "foram felizes para sempre" deixa de estar presente no dia-a-dia?
As pessoas gostam, querem, desejam... fazem tudo (ou quase tudo) por alguém, até que passa o encantamento, passa a magia e aquele que até então nos enchia a alma, deixa agora de o fazer. Sai da nossa vida, dando espaço a alguém novo.
O ritual repete-se: encantamento -> paixão -> desencantamento.
E aquele amor todo que marcou o dia dos namorados com aquele que já não faz sentido para nós, vai para o lixo. Deixa de fazer sentido guardar essas recordações. Só fazem sentido quando estão ligadas a essa pessoa.
E lá está o amor descartável. Usa-se e deita-se fora.
Já não há amores como antigamente... :P

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Diamante

Tirei tudo da caixinha dos segredos: um badge de um G.O de cada Club Med por onde passei de férias. O meu próprio badge...de Puerto Maria e o Da Balaia (sim, pq eu consegui realizar o sonho de um dia ser G.O). Postais recebidos um pouco de toda a parte, carta especiais, fotos especiais, bilhetes da queima, recordações da queima e, no meio da confusão, um bilhete: Filhinha, serás sempre um brilhante na minha vida. Papá.
Não me lembro dele, não me lembro do momento em que o recebi. Talvez por isso, as lágrimas escorreram-me pelo rosto.
Lembro-me de adormecer a ouvir as aventuras na "Quinta da Vovó do Papá". Como me ria com elas... Adorava quando chegava a "hora do conto" e rapidamente começavam as correrias de pensamentos, que me invadiam a cabeça!
Isso levou-me a lembrar dos jantares do Varina, em que iamos para a praia brincar, ou quando íamos ao Conchinha e pediamos ao Chico um "aquário" e riamos, ano após ano, com isso.
Também me veio à cabeça recordações das férias no Algarve e dos assaltos à gelataria por baixo de casa da vovó. E as mil e uma coisinhas que a vovó fazia para adoçarmos a boca.
E quando o sr. Lino chegava para me apertar as bochechas e eu me escondia assustada atrás de ti, enquanto o vovô reclamava para o cumprimentar?
Fechei a caixinha de recordações, cheia de lembranças, mas sem saber donde saiu o bilhete. Mas confesso que gostei!!!

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Namorados e iogurtes

" Namorados. São uma coisa porreira. Dão-nos rosas, escrevem-nos poemas, compram-nos cartões com ursos ramelosos e “fofinhos” da colecção Forever Friends, olham para nós com aquela expressão que têm os cães da União Zoófila e enchem-nos os dias de amor e romance. Os mais dotados e dedicados trazem o pequeno almoço à cama, cantam-nos Caetano Veloso ao ouvido – ou, no mais apurado estilo poético, declamam David Mourão-Ferreira num tom que só nós ouvimos – levam-nos às Caraíbas, oferecem-nos livros maravilhosos e discos inesquecíveis. Os mais tradicionais gostam de nos levar a jantar fora aos restaurantes da moda, os artísticos preferem levar-nos ao teatro, ou a Porto Brandão numa romântica viagem de cacilheiro ao fim de semana com as gaivotas por companhia e meia dúzia de gatos pingados avulso no mundo.
Namorados. São uma coisa porreira. Fazem-nos sentir a nós mulheres bonitas, únicas, amadas e desejadas. Chamam-nos Pequeninas, Princesas e outras delícias para o ouvido e o coração, enchem- se de paciência para ouvir os nossos desabafos e alinham com os nossos amigos. Alguns até têm um dom especial para lidar com as nossas mães, mas isso é uma singularidade rara, não podemos contar com ela no comum mortal.
Namorados. São uma coisa porreira. Até ao dia. O dia em que acordam e ficam com dúvidas, acendem a luz de alarme do complicómetro e começam a pensar no-que-é-que-isto-vai-dar, ou então ligam o radar que é outra peça que vem sempre acoplada ao macho e descobrem que o mundo está cheio a abarrotar de Princesas, Pequeninas e outros seres maravilhosos com longas pestanas, calças de ganga justas e cabelos compridos. E que muitas delas, coitadinhas, estão tão sozinhas, mesmo a precisar de companhia.
Como dizia o outro – desculpem andar-me a repetir com citações, parece que já usei esta, mas para mim é mais ou menos como o puré de batata nos menús dos colégios, dá para tudo – o homem caça e luta, a mulher intriga e sonha. E caça mesmo. Perdizes, narcejas, galinholas, Cláudias, Kátias ou Luisas, tanto faz. No couto ou no Lux, é indiferente. Ao meio dia num campo descoberto ou às cinco da manhã na pista da Kapital, não é relevante. O que o Homem gosta é do acto predador: se é um safari no Quénia ou uma saída na movida lisboeta, tanto faz. Há que apanhar uma presa e dar-lhe cabo do canastro. O que é preciso é um tipo manter-se vivo, dizia-me outro dia um caçador nato. Como se a vida dependesse disso.
Namorados. São uma coisa porreira, se nunca nos esquecermos que são como os iogurtes: saborosos, docinhos, deliciosos, mas com prazo de validade. Mas há que olhar para o lado do bom da coisa e fazer como diziam os romanos carpe diem, que é como quem diz, aproveitar o dia e esperar pelo dia seguinte sem esperar nada. Com um bocadinho de sorte, pode ser que ele ainda lá esteja, ou telefone, ou não lhe tenha apetecido ir às narcejas. Ou às Cláudias. "

Margarida Rebelo Pinto