Era uma tarde vulgar de segunda-feira e ela sentou-se à secretária a estudar. Enquanto lia, os seus pensamentos dispersavam-se e um desejo impróprio invadia-a como se de uma chama flamejante se tratasse. Não dava para fixar nada. Pegou no telemóvel e enviou a habitual mensagem ao vizinho da frente: "kero tar ctg. Tas em casa?". Oito segundos depois ele respondeu "sim. vem ca ter".
Ela largou tudo o que estava a fazer e correu para casa dele. Como era habitual, esperou no escuro que ele abrisse a porta e saltou-lhe para o colo. Envolveu-o com as pernas usando toda a força que tinha, enquanto os lábios se encontraram.
Ele fechou a porta, levou-a para o quarto, atirou-a violentamente contra a parede e despia-a fogosamente enquanto ela suspirava de prazer. Foi a vez dela o atirar para cima da cama, saltar para cima dele e despi-lo... arrebatando-o. Entregaram-se ao prazer e à loucura como se não houvesse amanhã. Ela tomava rédeas da situação... até que ele, puxando-a pelos cabelo, achou que era o momento de se impor.
Uma vez, duas, três... passaram a tarde nisso até que o telefone tocou e ele lhe disse "-São os meus pais. Estão a chegar". Ela respondeu "-Vamos para minha casa" ao que ele disse "-Só mais uma e vamos". Entregues novamente ao alento das sus almas, enrolaram-se na cama. Os seus corpos confundiam-se, a respiração estava ofegante e suavam como nunca. Gemiam de prazer, como se estivessem juntos pela primeira vez e se estivessem a tentar impressionar mutuamente.
De repente ouviu-se um barulho... uma chave que abria uma porta. Eram os pais dele. Ele levantou-se, fechou a porta do quarto e vestiram-se rapidamente, enquanto a voz da mãe o chamava e dizia que tinha uma surpresa. E que surpresa... Quando finalmente estavam "apresentáveis", ele abriu a porta e qual o seu espanto ao ver a namorada...
Ela fugiu. Correu de casa para fora. Chorava como não achava possível. E, inexplicavelmente, ele foi atrás. Sem namorada. Agarrou-a pelos braços, encostou-a a uma parede e, enquanto a beijava, gritava que era com ela que queria ficar. Era ela que lhe fazia bem e que o satisfazia...
Apenas com ela podia conversar, podia ter tardes fora do vulgar. Divertia-se como há muito não acontecia. Era isso... ele queria-a mesmo. E ela sabia como o queria desde sempre. Foram para casa dela. Abraçaram-se e beijaram-se ofegantemente.
Porque perderam tanto tempo a descobrir que se queriam? Porque se tinham... e nunca sentiram que podiam perder o outro. Não é isso que fazemos sempre?
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